segunda-feira, 29 de novembro de 2010

POESIA de Flavia Angelini.


Choro alimentos,

me fecho e domino as dores
que rasgam à alma onde se vê
pessoas, números em estatística
Humanos nus em valores capitais
peles e ossos como empecilhos
dados frios em vidas sem cores.
Necessidades esquecidas, mortas
um mundo que enterra seus sonhos,
irmãos que jazem petrificados
diante dos olhares nublados
que soam como relógios parados
em crueldades permitidas por corações fracos.

Choro alimentos,
pelos excessos do mundo
pelas carências da vida
pelas riquezas das peles
pelas fraquezas dos ossos
pelas mãos escondidas
pelos pés acorrentados
pelas doenças desumanas
pelas fadigas dos excessos
pelo comodismo do cobertor
pela anestesia do sofá.

Choro alimentos,
por aqueles que apenas têm o brilho das minhas lágrimas.


Foto: Vasco Ribeiro

São Paulo - 2002.


Flavia Angelini.




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